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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Desconsolado, mas digno.

Da coluna do vaticanista Andrés Beltramo Álvarez

A notícia de sua saída da Congregação para o Clero caiu como um “balde de água fria” sobre o Cardeal Mauro Piacenza quando lhe comunicou o próprio Francisco, na quarta, 11 de setembro, um dia depois da visita do Papa ao Centro Astalli para refugiados em Roma. Embora estivesse desconsolado, naquele mesmo dia começou a organizar as suas coisas para a iminente mudança. O pontífice pediu sua ajuda em um novo posto, o de Penitenciário Maior, e ele imediatamente aceitou, sem pedir explicações.Apesar de que em torno do purpurado já se soubesse da notícia, ela não vazou à imprensa até à véspera do anúncio oficial. Um detalhe pouco agradável ocorreu na manhã daquele mesmo sábado. Em um dos corredores da sede da Congregação no Vaticano, estão pendurados os retratos de alguns dos antigos prefeitos. Abaixo da imagem e do nome de Piacenza, horas antes que se fizesse pública a mudança, já havia aparecido a placa com a data: “2010-2013″. Como se alguém tivesse uma surpreendente pressa para ver partir do posto o clérigo genovês. Naquele sábado, Piacenza se despediu de todos os seus colaboradores com um breve discurso.

Nota do Fratres: Vale ressaltar a dignidade do Cardeal Piacenza ao deixar o seu posto, ao contrário do que fazem os progressistas quando contrariados: vazamento de documentos confidenciais e intrigas que minam a autoridade papal e desabonam a cúria romana — o episódio do Vatileaks que o diga; ou mesmo ninharias ridículas, como, por exemplo, quando o Cardeal Sodano (que agora se vê “vingado” com as nomeações de vários de seus pupilos por Francisco) demorou meses para liberar os escritórios da Secretaria de Estado ao ser substituído por Bento XVI. Enfim, outra demonstração de quem realmente está do lado do Papado e de quem quer simplesmente instrumentalizá-lo para benefícios próprios — quando não para destruí-lo.

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