Da coluna do vaticanista Andrés Beltramo Álvarez

A
notícia de sua saída da Congregação para o Clero caiu como um “balde de
água fria” sobre o Cardeal Mauro Piacenza quando lhe comunicou o
próprio Francisco, na quarta, 11 de setembro, um dia depois da visita do
Papa ao Centro Astalli para refugiados em Roma. Embora estivesse
desconsolado, naquele mesmo dia começou a organizar as suas coisas para a
iminente mudança. O pontífice pediu sua ajuda em um novo posto, o de
Penitenciário Maior, e ele imediatamente aceitou, sem pedir explicações.Apesar de que em torno do purpurado já se
soubesse da notícia, ela não vazou à imprensa até à véspera do anúncio
oficial. Um detalhe pouco agradável ocorreu na manhã
daquele mesmo sábado. Em um dos corredores da sede da Congregação no
Vaticano, estão pendurados os retratos de alguns dos antigos prefeitos.
Abaixo da imagem e do nome de Piacenza, horas antes que se fizesse
pública a mudança, já havia aparecido a placa com a data: “2010-2013″.
Como se alguém tivesse uma surpreendente pressa para ver partir do posto
o clérigo genovês. Naquele sábado, Piacenza se despediu de todos os
seus colaboradores com um breve discurso.
Nota do Fratres: Vale ressaltar a
dignidade do Cardeal Piacenza ao deixar o seu posto, ao contrário do que
fazem os progressistas quando contrariados: vazamento de documentos
confidenciais e intrigas que minam a autoridade papal e desabonam a
cúria romana — o episódio do Vatileaks que o diga; ou mesmo
ninharias ridículas, como, por exemplo, quando o Cardeal Sodano (que
agora se vê “vingado” com as nomeações de vários de seus pupilos por
Francisco) demorou meses para liberar os escritórios da Secretaria de
Estado ao ser substituído por Bento XVI. Enfim, outra demonstração de
quem realmente está do lado do Papado e de quem quer simplesmente
instrumentalizá-lo para benefícios próprios — quando não para
destruí-lo.
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